quarta-feira, 22 de março de 2017

O primo do Marvin

O primo do Marvin morreu há alguns dias e quase me esquecia de o assinalar.


(Back to the Future, de 1985, dirigido por Robert Zemeckis. Atenção ao minuto 1'28")

Parece uma feira de gado!

Os países do sul da Europa ficaram indignados com as palavras do político holandês, que até nem foi muito específico na geografia do que disse. Os portugueses, então, foram aos arames e sentiram-se ultrajados, enfiando imediatamente o barrete e respondendo com o nível que lhes conhecemos, na imprensa, em privado e na praça pública. O senhor Santos Silva, o ministro dos negócios estrangeiros, fez ecoar o repúdio português pela cena internacional, dizendo que "São declarações muito infelizes e, do ponto de vista português, absolutamente inaceitáveis. Há, por um lado, o aspeto de uma graçola que usa termos que hoje já não são concebíveis, essa ideia de gente que anda a gastar dinheiro com vinho e mulheres é uma forma de expressão que, com toda a certeza, não é própria de um ministro das Finanças europeu. Está manifesto que o senhor Djisselbloem não tem nenhumas condições para permanecer a frente do Eurogrupo".
O Linguado soube, no entanto, que o aparentemente urbano Santos Silva rejubilou com as palavras do seu companheiro de luta por um socialismo europeu mais liberal e lhe enviou uma nota pessoal: "Ó Jeroem, és o maior! Grande presidente… Isto é mesmo uma feira de gado!"

 
(Público)

terça-feira, 21 de março de 2017

Putas e vinho verde

Como social-democrata, considero a solidariedade um valor extremamente importante. Mas também temos obrigações. Não se pode gastar todo o dinheiro em putas e vinho verde e, depois, pedir ajuda.
Jeroen Dijsselbloem, ministro das finanças da Holanda e presidente do Eurogrupo, 21 de março de 2017.



segunda-feira, 20 de março de 2017

Gente fraca

Infelizmente, por não morar em Lisboa nem lá estar hoje, não pude aceitar o simpático convite para participar na inauguração desta exposição na Torre do Tombo. Aliás, para ser franco, mesmo que morasse ou estivesse, não participaria. Já vai muito longe o tempo em que tinha paciência para engravatadinhos e "inaugurações "... O que não quer dizer que não adorasse visitar a Exposição - vou manter a esperança de que ela saia lá do Tombo e venha ao meu país. 


Ainda bem que não fui, porque provavelmente teria um ataque de vómitos perante estas palavras do representante da República Portuguesa.


Uma "perseguição " a alguém, por motivos de raça, religião ou, simplesmente, para os roubar, parece-me sempre um erro, histórico ou de outro tipo qualquer. Mas este homem concretizou e relativizou (e cito a nota da Agência Lusa):
Marcelo Rebelo de Sousa referiu que os judeus que saíram de Portugal foram “para todo o mundo, mas desde logo para a Europa, da Europa para os novos continentes, nomeadamente América do Norte e América do Sul”. E perdeu-se. Perdeu-se em cultura, perdeu-se em ciência, perdeu-se em economia, perdeu-se em finanças, perdeu-se em saber. Foi um erro histórico que foi praticado. E esta exposição permite perceber por que é que um erro”, reforçou. “Nós perdemos aquilo que outras sociedades europeias ganharam”, lamentou.
Perdeu-se foi mais uma boa oportunidade de estar calado, senhor comentador televisivo.
Há um ano e meio, o Doutor Costa tinha dito que os refugiados são bem-vindos porque em Portugal há muitas matas para limpar. Agora, o Professor Matcelo quer-nos fazer crer que um crime foi um erro porque nos deu prejuízo. Eu não quero ser representado nem governado por gente assim, fraca, mesquinha, sem princípios. Mas tenho que os aturar, porque a maioria dos portugueses acha que eles são mais decentes do que os anteriores. Enfim, mais um erro histórico.
  

Uma resposta de Rentes de Carvalho


O escritor José Rentes de Carvalho, que nasceu em Vila Nova de Gaia, de família vinda de Mogadouro, e que reside na Holanda há mais sessenta anos, votou no Partido para a Liberdade, de Geert Wilders, nas recentes eleições holandesas. Explicou porquê (aqui) e causou espanto. O jornal Observador fez-lhe uma entrevista (por e-mail) e, entre outras perguntas, o jornalista, beato, fez-lhe a seguinte:
Não teme eventuais consequências junto dos seus leitores habituais, por ter declarado esta intenção de voto? Pergunto isto porque Wilders é sobretudo associado a ideais como a islamofobia, nacionalismo, princípios de extrema-direita…
Ao que JRC respondeu:
Temer eventuais consequências? Nunca isso me passaria pela cabeça. Nada tenho a ver com os meus leitores, não lhes devo coisa nenhuma, tão-pouco me interessa o seu favor ou desfavor, ou que eles suponham poder-me associar com Wilders, a islamofobia, a extrema-direita, o partido dos animais ou os vegetarianos. Não pertenço, não me associo, não tiro proveito. Sou livre e ajo com liberdade, nenhum interesse material, político, económico, social ou outro tem poder para coartar a minha liberdade.
Independente de partilhar, ou não, a ideia de deportar marroquinos, saúdo esta resposta.

È morto Bernie Wrightson, maestro dell’horror a fumetti


È morto Bernie Wrightson, maestro dell' horror a fumetti.
É assim, numa língua estrangeira, que falo da morte, no sábado passado, de Bernie Wrightson, um dos meus desenhadores de BD favoritos. Tinha 69 anos e criou muitos monstros, entre os quais o do Pântano (com Len Wein). A imprensa portuguesa, quando os estagiários forem fazer a sua ronda pelos sites internacionais, há de reparar que o mundo empobreceu.

Swamp Thing, com Len Wein (e Nestor Redondo)

Frankenstein, com Mary Shelley

sexta-feira, 17 de março de 2017

Purga

O Linguado fez uma operação de limpeza, um tresloucado ato autocensório. As postas mais acintosas sobre ortografia, normalmente com o jornal Público e os seus colunistas como alvo, foram "desativadas". Não eliminadas, porque não me arrependo do que escrevi, mas remetidas para o limbo do "rascunho", porque a irritação momentânea ou acumulada não pode ser critério para o desabafo insolente, que tantas vezes caiu no insulto de pessoas que não conheço. Ficaram alguns textos, é certo, mas nesses casos acho que se justificam.

E pronto, em nome da transparência o digo: o Linguado vai passar a ser mais saudável, e estou a ponderar idêntica purga a postas de cariz político-partidário. Fora com o insulto e com o desprezo pelos outros.